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Deus e o Barbeiro


Um homem foi ao barbeiro para cortar o cabelo, como ele sempre fazia.

Ele começou a conversar com o barbeiro sobre vários assuntos. Conversa vai, conversa vem, eles começaram a falar sobre Deus.

O barbeiro disse:
- Eu não acredito que Deus exista como você diz.

- Por que você diz isto? - o cliente perguntou!

- Bem, é muito simples, você só precisa sair na rua para ver que Deus não existe.

E o barbeiro continuou:
- Se Deus existisse, você acha que existiriam tantas pessoas doentes? Existiriam crianças abandonadas? Se Deus existisse, não haveria dor ou sofrimento. Eu não consigo imaginar um Deus que permite todas essas coisas.

O cliente pensou por um momento, mas ele não quis dar uma resposta, para prevenir uma discussão.

O barbeiro terminou o trabalho e o cliente saiu. Neste momento, este viu um homem na rua com barba e cabelos longos. Parecia que já fazia um bom tempo que ele não cortava o cabelo ou fazia a barba e ele parecia bem sujo e arrepiado.

Então o cliente voltou para a barbearia e disse:
- Sabe de uma coisa? Barbeiros não existem!

- Como assim eles não existem? – perguntou o barbeiro - Eu sou um.

- Não! - o cliente exclamou. Eles não existem, pois se eles existissem não haveria pessoas com barba e cabelos longos como aquele homem que está ali na rua.

- Ah, mas barbeiros existem... O que acontece é que as pessoas não me procuram, e isso é uma opção delas.

- EXATAMENTE! - afirmou o cliente. É justamente isso. Deus existe, o que acontece é que as pessoas não o procuram, pois é uma opção delas e é por isso que há tanta dor e sofrimento no mundo.

2 comentários:

Jéh Vilela disse...

oiii
seu blog é uma benção
estou seguindo!
estou pegando este artigo e colocarei os creditos ao seu blog
se quiser veja
http://fourcristo.blogspot.com/
se gostar siga
Graça e paz

Bosco Chancen disse...

A estória acima se baseia no seguinte raciocínio:

A afirmação (1): “Se há mal e sofrimento no mundo, não há Deus” é comparada a afirmação (2):“ se há pessoas cabeludas e barbudas, não há barbeiros”; porém se é verdade que há pessoas cabeludas e barbudas no mundo, e há barbeiros, então, por comparação, a primeira afirmação, sobre Deus, está errada também, já que assim como a existência de pessoas cabeludas e barbudas não implica na não-existência de barbeiros, a existência do mal e do sofrimento no mundo não implica também na não-existência de Deus, logo, por comparação, existe, sim, Deus.

É obvio que sua simplicidade é logo de cara um grande atrativo, e que também seduz por sua forma poética, mas o problema é que esta simplicidade não trata a questão como deve ser tratada, pois as afirmações (1) e (2) não são de modo algum semelhantes, exigência imprescindível para que a estória tenha coerência, pois todos irão concordar comigo que existe infinita diferenças entre um barbeiro e Deus; que também há uma enorme diferença em como chegamos à ideia de Deus e de um barbeiro: a ideia de Deus (ser infinito, infinitamente bondoso, todo-poderoso, infinitamente sábio, etc.) alcançamos por meio de uma religião (entre milhares de religiões, com deuses de todos os tipos) enquanto a simples ideia de barbeiro chegamos à ela por meio da experiência direta; o barbeiro, é um ser finito, enquanto Deus é um ser infinito, e etc. Além disso, podemos conceber, sem nenhum problema, pessoas que queiram usar cabelos e barbas longas, mas não podemos conceber que o mundo possa escolher ser ou não criado por um Deus. Portanto, A ESTÓRIA É FALHA E ENGANOSA, já que a base dela é comparar, equiparar, o barbeiro a Deus, afirmando que o mesmo efeito possui causas similares, levando-nos a entendermos, sem dúvida de modo intencional, que o que cabe a um cabe a outro: se o barbeiro existe independente de haver ou não pessoas barbudas e cabeludas, então Deus também existe independente de haver ou não o mal e o sofrimento no mundo; mas vimos que há infinitas diferenças entre um e outro, o que é permitido a um não é a outro; ademais, sendo o barbeiro finito e simples e conhecendo sua existência diretamente, torna-se muito mais provável a existência de um barbeiro do que de um Deus com toda sua complexidade. Além disso, a estória depende de Deus ser de fato bom, o que deveria ser demonstrado antes.

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