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"Objetivo do programa nuclear iraniano é aniquilar Israel"

Esposa do cientista nuclear iraniano falecido em janeiro
concedeu uma entrevista reveladora


Israel, 23/Fev/2012 - Bolouri Fatemeh Kashani, esposa do falecido cientista que liderava o programa nuclear secreto do Irã, afirmou em entrevista à Fars News Agency que seu esposo lhe revelou que "O OBJETIVO FINAL ERA A ANIQUILAÇÃO DE ISRAEL".

"Eu não sabia qual era o papel do meu marido. Ele não tinha um guarda-costas e andava onde queria. Sabia que meu marido se tornaria um mártir, mas não achava que isso aconteceria tão cedo", acrescentou Blouri Kashani.

Mostafa Ahmadi Behdast Roshan, o cientista assassinado, era responsável pelo enriquecimento de urânio da usina de Natanz, uma das mais importantes do programa nuclear iraniano, e a revelação de sua própria esposa talvez seja a prova mais contundente de que o Irã esteja mesmo planejando construir bombas atômicas.

Autoridades iranianas têm acusado espiões do Mossad, o serviço secreto israelense, de estarem por trás do carro-bomba que matou Roshan em seu caminho para o trabalho no mês passado. O presidente israelense, Shimon Peres negou que seu país estivesse envolvido.

Na última quarta-feira, o general Benny Gantz, chefe do exército israelense, reiterou que um Irã com armas nucleares é uma ameaça existencial inaceitável para o Estado judeu. E a revelação de Balouri Kashani a respeito do objetivo do trabalho do seu marido fortalece a alegação israelense.

Em um artigo publicado recentemente pelo site iraniano “Alef”, o estrategista do aiatolá Ali Khamenei, Alireza Forghani, defendeu as razões pelas quais, "em nome de Alá, o Irã deve atacar Israel até 2014".

De acordo com o texto do estrategista, se o mundo muçulmano não atacar Israel no futuro próximo, "a oportunidade pode se perder e talvez não seja possível pará-los". O iraniano prevê também que, muito em breve, mísseis poderiam destruir Israel em "menos de nove minutos".

O texto foi reproduzido em outros sites governamentais do Irã, inclusive pela agência Fars. Nele Forghani se refere a Israel como "um tumor cancerígeno no Oriente Médio" e diz aos leitores que "todos os problemas" dos iranianos "são culpa de Israel".

Vale lembrar que o próprio presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, se referiu várias vezes a Israel como "um câncer" que deve ser removido do Oriente Médio. Apesar dessas evidências, os críticos de Israel continuam a acusar o Estado judaico de manipular a situação para provocar uma outra guerra sem sentido.

Enquanto isso, o Irã continua a insistir que seu programa nuclear secreto é pacífico por natureza, e os líderes ocidentais continuam ansiosos para que Teerã cumpra pelo menos parcialmente a sua palavra, a fim de evitar um conflito militar. Porém, segundo a esposa do falecido cientista iraniano, a comunidade internacional está a enfiar a cabeça na areia, em detrimento de Israel.


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Bomba mata cientista nuclear em Teerã; Irã acusa Israel

Carro do cientista nuclear Mustafa Ahmadi Roshan, 32 anos,
foi coberto com uma lona após a explosão em Teerã
(Foto: AFP)

O cientista nuclear iraniano e professor universitário Mostafa Ahmadi Behdast Roshan, 32 anos, morreu nesta quarta-feira após uma bomba explodir em seu carro no norte de Teerã, informou a imprensa local. A explosão, que feriu outras duas pessoas, aconteceu no bairro de Seyed Khandan, próximo a uma universidade, Se testemunhas, o artefato foi colocado no veículo por um indivíduo que estava em uma motocicleta.

Imediatamente após o atentado, o vice-governador de Teerã acusou Israel pela morte do cientista. "Israel é responsável por este atentado, o método se parece com o utilizado nos atentados contra os cientistas nucleares iraniano", declarou o vice-governador Safal Ali Baratloo, de acordo com o canal árabe Al-Alam.

Segundo divulgou a agência Irna, os deputados iranianos condenaram o ataque e gritaram palavras de ordem como "morte aos Estados Unidos", "morte a Israel" e "morte aos hipócritas", depois de o vice-presidente do Parlamento, Seyed Shahabedin Sadr, anunciar que agentes "da arrogância mundial martirizaram outro importante professor universitário".

Roshan era professor da Universidade Tecnológica de Teerã e supervisionava a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, na província de Isfahan. Ela é a principal instalação de enriquecimento de urânio do país, com 8 mil centrífugas. A morte de Roshan acontece exatamente dois anos depois do falecimento de Majid Shahriari, um famoso cientista nuclear iraniano, em outro atentado.

Outra imagem do carro do cientista iraniano Mustafa Roshan

Tensão nuclear

O atentado ocorre em um momento de especial tensão internacional pelo programa nuclear iraniano. Na última segunda-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que o Irã começou a produzir urânio enriquecido a 20% em sua nova planta de Fordo, a 160 quilômetros de Teerã.

Até agora, o Irã havia purificado urânio até esse nível - considerado um passo prévio ao urânio altamente enriquecido para bombas atômicas - só em Natanz. Grande parte da comunidade internacional acusa o regime iraniano de esconder, sob seu programa civil, outro de natureza clandestina e ambições bélicas cujo objetivo seria produzir armas atômicas, o que Teerã nega.

As suspeitas se centram, principalmente, no programa de enriquecimento de urânio do Irã, país que advertiu que sob nenhum conceito renunciará a este direito. Na segunda-feira, durante visita a Venezuela, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, declarou que as acusações sobre os supostos planos de seu país de construir bombas são "motivos parar rir" e escondem a intenção de evitar o desenvolvimento do Irã.

Histórico de atentados

A morte de Roshan acontece dois anos depois da morte, em janeiro de 2010, de Majid Shahriari e Massoud Ali Mohammadi, dois conhecidos cientistas nucleares iranianos, também em atentados. Em outro desses ataques, em novembro de 2010, Fereydoon Abbsi Davani ficou ferido, pesquisador vinculado a poderosa Guarda Revolucionária iraniana, que após o atentado foi nomeado chefe do Organismo para a Energia Atômica iraniano.

Em agosto, o cidadão iraniano Majid Jamali-Fashi admitiu ter recebido ajuda dos serviços secretos israelenses (Mossad) para perpetrar o atentado com moto-bomba contra Mohammadi, especialista em partículas nucleares. Jamali-Fashi foi condenado à morte.

Fonte: Portal Terra.

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