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Novo Papa (na Igreja Ortodoxa Copta)

Menino vendado escolheu um papel com o nome do bispo Tawadros,
eleito então o novo papa copta

Foi uma cerimônia excepcional. A antiga liturgia do serviço religioso na Catedral de São Marcos, no Cairo, foi cenário de um ritual ainda mais extraordinário. Um menino foi escolhido, levado ao altar, e vendado. Ele então pegou um entre três pedaços de papel colocados em um recipiente. O papel foi mostrado à congregação. Nele estava o nome do bispo Tawadros, que assim se converteu no 118º papa da Igreja Ortodoxa Copta do Egito. A congregação explodiu em aplausos espontâneos.

Pode parecer uma maneira estranha de escolher o novo líder dos quase 10 milhões de cristãos coptas do Egito – e muitos mais espalhados pelo mundo. Mas a Igreja Copta acredita que desta maneira se revela a mão de Deus. Esta também é a visão de Youssef Sidhom, editor do periódico copta Watani.

"Nós mostramos três ao céu e pedimos que escolha um deles", diz.
Mudança e tradição

O novo papa é um bispo de 60 anos. Ele estudou na Grã-Bretanha e trabalhou no Egito e em outros países. Ele até mesmo comandou uma fábrica de medicamentos, e é um homem de ampla experiência e um administrador reconhecido. Apesar disso, ninguém acredita que ele trará mudanças radicais a essa Igreja profundamente conservadora.

Um analista me disse que a única mudança introduzida na Igreja nos últimos anos foi a aceitação do uso de cadeiras, um ato de misericórdia, já que os cultos religiosos podem se estender por quatro ou cinco horas. A antiga liturgia ainda é realizada no idioma copta, pouco compreendido pela maioria dos egícios. Na saída de uma celebração religiosa em uma igreja do Cairo nesta semana, os membros da congregação se uniam na oposição a qualquer ideia de mudança.

"Esta é uma Igreja tradicional", disse Nader.

"Nós gostamos do jeito que está, nós realmente gostamos desta maneira", afirmou Miriam.
 
 Bispo Tawadros (em cartaz ao fundo), de 60 anos, foi escolhido o novo papa
 
Transformação

No entanto, o novo papa terá de lidar com um Egito em rápida transformação e uma comunidade ansiosa sobre seu próprio papel nessas mudanças. O papa Shenouda 3°, morto em março deste ano, era um papa muito político. Teve problemas com o presidente Anwar al-Sadat, sendo forçado a um auto-exílio internamente durante muitos anos. Depois, formou uma forte aliança com o então presidente Hosni Mubarak, acreditando que esta era a melhor maneira de proteger os cristãos do Egito.

Muitos líderes coptas acreditam que agora o novo papa deveria desempenhar um papel menos político. Ativistas como Michael Munir esperam que os coptas possam ter suas vozes ouvidas ao ganhar mais assentos no Parlamento agora eleito democraticamente. O novo papa, porém, talvez deva deixar claro imediatamente seu ponto de vista sobre o tamanho do papel que a lei islâmica, a Sharia, deve desempenhar na nova Constituição atualmente em negociação.

Também terá de abrandar os temores de que os coptas podem ser deixados de lado nos empregos do governo e mesmo de que novos confrontos sectários possam eclodir.
Problemas

Após a euforia com a revolução que tirou Mubarak do poder no ano passado, os coptas estão nervosos. Como todos os egípcios, estão sofrendo com a situação econômica difícil. Viram a Irmandade Muçulmana chegar ao poder e políticos islâmicos linha-dura pressionarem por medidas radicais.

Esta também é uma época de oportunidades para o Egito. O país tem um vasto potencial a ser explorado – se a economia e a educação começarem a ser reformadas. E até agora os piores temores dos cristãos coptas do Egito não se materializaram. Eles esperam agora que um novo papa possa liderá-los rumo a um futuro de segurança neste país que está sendo reconstruído e transformado.

Apesar desse ritual ancestral, problemas bem modernos esperam pelo novo papa copta.

Fonte: BBC.

Jornalista estrangeira é agredida no Egito

Cairo - A famosa jornalista Lara Logan, de 39 anos, correspondente da rede norte-americana de televisão CBS e repórter do programa "60 Minutos", cobria a onda de protestos no Egito nos últimos dias, porém na última sexta-feira (11/02/2011), durante os festejos do povo pela renúncia do presidente Hosni Mubarak, acabou sendo brutalmente espancada e vítima de agressões sexuais.

Segundo um comunicado da rede americana, cerca de 200 pessoas teriam cercado a repórter e a sua equipe na praça Tahrir. Em seguida, ela foi separada à força do restante de sua equipe e levada para alguns metros adiante, onde foi espancada e sofreu os abusos. Ela foi salva quase meia hora depois, por um grupo de mulheres e alguns soldados egípcios.

Lara Logan, momentos antes de ser agredida pela multidão

De volta aos EUA, a informação era de que, até ontem à noite, ela encontrava-se internada em um hospital próximo a Nova York, recuperando-se das agressões. A CBS não forneceu mais detalhes em respeito à privacidade da senhora Logan.

A história provocou comoção nos EUA.


Notícia relacionada:
- Jornalista Lara Logan conta agressão sexual sofrida no Egito
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/jornalista-lara-logan-conta-agressao-sexual-sofrida-no-egito/




OBSERVAÇÕES:

- O Comitê de Proteção a Jornalistas registrou ao menos 140 ataques a repórteres durante a cobertura do Egito, e alertou que abusos contra repórteres e ativistas homens também são disseminados em vários lugares, como Irã e Paquistão.

- Dados divulgados pelo Centro Egípcio para os Direitos da Mulheres informam que 83% das mulheres egípcias consultadas já sofreram algum tipo de abuso. E para as estrangeiras no país, o índice é absurdamente pior: os abusos atingiram cerca de 98% delas!

- Nos EUA, críticos do terrorismo radical islâmico aproveitaram para tecer pesados comentários sobre o ocorrido. Por exemplo:

“Não me incomoda nem um pouco que repórteres que dizem que muçulmanos e o islã são pacíficos recebam uma dose da 'paz' real deles. (...) Isso nunca aconteceu quando Mubarak tratava seu país de selvagens da única forma como podem ser controlados.”
(Debbie Schlussel, radialista e blogueira conservadora)


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"Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. (...) Portanto, pelos seus frutos os conhecereis."
(Jesus, segundo Mateus 7:17,20)