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Norma obriga cartórios de SP a celebrarem casamento gay

Em São Paulo, casais gays não precisarão mais ter de registrar primeiro
a união estável para depois solicitarem a conversão em casamento

Agência Estado
 
19/12/2012 - Todos os cartórios do Estado de São Paulo terão de habilitar obrigatoriamente homossexuais para o casamento civil. O Diário Eletrônico da Justiça publicou nesta terça-feira (18) alterações nas Normas de Serviço da Corregedoria-Geral que aplicam ao casamento ou à conversão de união estável em casamento de pessoas do mesmo sexo as regras exigidas de heterossexuais. A medida entra em vigor em 60 dias.

Os casais homossexuais não precisarão mais ter de registrar primeiramente a união estável para depois solicitar a conversão em casamento. Nem terão de recorrer à Justiça para garantir o casamento ou a conversão da união. Basta ir diretamente ao cartório de registro de pessoas naturais e solicitar a habilitação para o casamento.

O procedimento da Corregedoria pacifica decisões judiciais. Em setembro, um acórdão do Conselho Superior da Magistratura determinara o registro de casamento entre pessoas do mesmo sexo em São Paulo em todos os cartórios.

A norma administrativa terá efeito vinculante. “Agora, há a dispensa de provocação judicial. Os cartórios terão a obrigação de cumprir a regra”, explica Alberto Gentil de Almeida Pedroso, juiz assessor da Corregedoria. Recusas serão revistas pelo juiz-corregedor do cartório.

O vice-presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP), Luis Carlos Vendramin Junior, diz que a entidade apoia a medida. “Desde o reconhecimento da união estável homoafetiva (no Supremo Tribunal Federal em maio de 2011), a Arpen defende o registro do casamento homossexual. Não precisa nem mudar a lei, porque o STF já disse que é inconstitucional negar a união”, diz Vendramin. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

ENTENDA A NOTÍCIA

A norma da Corregedoria da Justiça paulista abre precedente para a mudança das normas em outros Estados e deverá servir de referência para eliminar resistências nos cartórios de registro de pessoas naturais.

Saiba mais

No dia 9 de dezembro, 92 casais homossexuais oficializaram em uma cerimônia coletiva, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), o reconhecimento judicial de união estável.

A celebração ocorreu na véspera do Dia Internacional dos Direitos Humanos, festejado anualmente em 10 de dezembro.

"Casamento Coletivo" reúne 47 casais gays em SP

 

O governo do Estado de São Paulo oficializou na noite de 28 de setembro, uma sexta-feira, a união estável de quarenta e sete casais homossexuais numa cerimônia coletiva no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), no bairro do Limão, zona norte da capital.

Todos os casais - 32 formados por mulheres e 15 por homens - receberam DE GRAÇA escrituras de união homoafetiva expedidas por um cartório da capital. A isenção das taxas normalmente praticadas foi fruto de um acordo entre o governo de SP, a Defensoria Pública e o cartório que ficou responsável por fazer as escrituras.

Os casais gays que participaram da cerimônia terão status semelhante ao de uniões formalizadas em um casamento civil: puderam escolher o regime de comunhão de bens (parcial, total ou separação total), nome social e ainda há uma possibilidade de converter um dia essa união estável em casamento (a lei brasileira atual por enquanto ainda não permite essa conversão...).

O evento foi promovido pela Coordenação da Diversidade Sexual e pelo Centro de Integração da Cidadania, ambos parte da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo. 

Em agosto, todos os casais inscritos participaram de uma palestra com integrantes da Defensoria Pública de SP.

Fonte: Folha.com e Uol.

Links relacionados:
- Fortaleza promove mutirão para oficializar união entre casais gays
- Defensoria Pública e Secretaria de Justiça de SP promovem mutirão de uniões homoafetivas em junho

Ex-gays defendem Silas Malafaia das acusações do MPF

Silas Malafaia

O pastor Silas Malafaia, da Associação Vitória em Cristo, recebeu apoio da Associação Brasileira de Ex-LGBTT ("ABEXLGBTT", também conhecida como "Abex"), formada por ex-homossexuais e travestis, que enviou uma nota de repúdio público contra a ação do procurador federal Jefferson Aparecido Dias, por ter pedido pastor assembleiano que se retratasse por suas falas - consideradas por ele como "homofóbicas".

A Abex também comunicou a abertura de um processo administrativo disciplinar contra o procurador, pedindo explicações sobre os motivos que o levaram a encarar as declarações do pastor Malafaia como “homofóbicas”.

As declarações em questão foram ditas durante o programa Vitória em Cristo, que foi ao ar em julho de 2011, quando o pastor criticou severamente a atitude de manifestantes gays que usaram a imagem de santos católicos durante a Parada do Orgulho Gay de São Paulo. Malafaia disse que a Igreja Católica precisava “baixar o porrete” e “entrar de pau” nos participantes e organizadores, se referindo a mover processos, mas a ABLGBT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) considerou essas frases como homofóbicas.

O grupo de ex-gays acredita que o Ministério Público está atuando em prol do movimento homossexual, o qual não aceita as diferenças de opiniões sobre a homossexualidade. O documento defendendo Malafaia, assinado pelo ex-travesti Joide Miranda (presidente da Abex) e pelo Dr. Matheus Sathler, diz que eles não evitarão esforços para impedir que a doutrinação pró-homossexualismo venha a ocorrer.

A nota diz:

"Nesse sentido, declara que está tomando as devidas medidas legais junto ao Conselho Nacional do Ministério Público para dar início a um pedido de abertura de processo administrativo disciplinar em relação à atuação do procurador Jefferson Aparecido Dias* para que explique na ótica do direito positivo pátrio de onde tirou a tipificação alienígena de “declaração homofóbica” em relação a fala do pastor Malafaia.

Por fim, vem declarar com profundo pesar que é extremamente preocupante uma autoridade da República Federativa Brasileira, livre e democrática, estar aparentemente utilizando um órgão tão estimado como o Ministério Público para atuar em prol de um pequeno grupo intolerante e que não aceita as diferenças de opiniões com relação a homossexualidade.

O que nos parece é que uma doutrinação totalitária da sociedade brasileira está aos poucos tentando ser implementada. Mas que com a atuação de homens de coragem, que não temem a própria morte e não se curvam frente ao mal, não evitarão esforços para impedir que tal doutrinação sem base racional e científica venha a ocorrer."


* O Dr. Jefferson Aparecido Dias é o procurador titular da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em SP - a mesma que luta desde dezembro do ano passado para tirar o termo "Deus Seja Louvado" das cédulas de Real.